segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A saída em beleza de Rui Rio

O Presidente do Executivo Municipal do Porto guardou para os últimos dias do mandato uma ação simbólico da sua relação com a cultura ao longo dos últimos 12 anos.
Durante a madrugada de quinta feira procedeu ao despejo da Companhia de Teatro Seiva Trupe do Teatro do Campo Alegre. Melhor opção não poderia ter sido encontrada para encerrar uma década de hostilidade e perseguição dos agentes culturais, e em particular de uma companhia cuja história se confunde com a da democracia portuguesa desde os anos 70. E a circunstância de o despejo ter sido feito a coberto da noite só torna mais simbólica - e plena de tristes memórias - a ação do executivo municipal.
A PLATEIA e os profissionais do espetáculo da cidade do Porto manifestam a sua solidariedade para com a SEIVA TRUPE e o vivo repúdio pela atitude da Câmara Municipal.

8 comentários:

  1. "Seiva Trupe (..) uma companhia cuja história se confunde com a da democracia portuguesa desde os anos 70."

    Fui estudar o caso e convêm que se tenha em nota estes valores.
    Em 2000 celebra-se o seguinte contrato:

    Seiva Trupe paga 42€/mês para alugar o Teatro do Campo Alegre
    Seiva Trupe paga 1000€/mês para pagar agua/luz/gás
    Seiva Trupe recebe 1000€/mês por Consulturia Artistica
    Saldo: um teatro inteiro pelo módico custo de 42€/mês (e 10% da bilheteira)

    Em 2003 a Fundação para a Ciência e Desenvolvimento cessa o contrato de Consultoria Artística.

    Nos 9 anos que se seguem (em protesto?) a Seiva Trupe não paga nada. Zero. Nem os 42€.

    Em tribunal negoceia-se a divida de perto de 150k€ para 50k€.
    A Seiva Trupe esforça-se por pagar.
    A Seiva Trupe já não consegue pagar.
    Desiste. (vai falência)

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    É um bom exemplo de tudo o que está mal com o Pais e, efectivamente, confunde-se com a nossa democracia. Para começar, 42€/mês para alugar o Teatro Inteiro? Honestamente, isso é justo para quem? Todas as outras companhias de Teatro que existem e ficam de fora?

    É tristíssimo que em fim-de-mandato um presidente de Câmara despeje uma companhia como a Seiva Trupe. Duvido que algum outro tivesse coragem de o fazer. Mas é muito mais lamentável que durante 13 anos se ande a brincar desta forma com dinheiro público. Por parte da Câmara, da Seiva Trupe e dos Tribunais.

    Porém, como dizem no blog (e bem!), é um exemplo que se confunde com a nossa democracia (infelizmente).

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  2. A Seiva Trupe teve sempre as suas contas separadas da Fundação: telefones, funcionários, internet, etc. etc. Para além disso, os meses em dívida eram Agosto e Setembro (2.500 € por mês de taxa de ocupação!) Quando se viram aflitos para pagar (para além de todos os compromissos, pagamentos, etc.) meteram um PER. isto quer dizer que se paga mas com um plano especial de revitalização quando se está "apertado" mas se continua honesto e a honrar todos os seus compromissos. Não se pode é aceitar que queiram fazer crer que a Seiva é algum bando de incumpridores, ou de irresponsáveis e que... andou todos estes anos no Teatro do Campo Alegre ás custas da Câmara!!!!

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  3. Cara Nina Teodoro,

    Infelizmente parece-me que a situação é bastante mais complexa do que a que refere. Pelo seu comentário podemos assumir que a Seiva Trupe honrou desde sempre o seu contrato com a FcD, podemos assumir que a Seiva Trupe nunca falhou nenhum pagamento e que pelo simples não pagamento de dois meses de renda a Seiva Trupe foi "expulsa" do Teatro do Campo Alegre. Não é o caso.

    Quanto ao PER é efectivamente um processo especial criado no CIRE para recuperação de empresas que se encontrem em processo de insolvência mas que ainda seja possível de recuperação. Porém, no caso concreto em que o devedor esteja IMPOSSIBILITADO DE CUMPRIR PONTUALMENTE AS SUAS OBRIGAÇÕES (que é o caso) já não pode recorrer ao PER.

    A Seiva Trupe não é um "Bando de Incumpridores" mas efectivamente foi alvo de gestão danosa. Não esteve às custas da Câmara, tinha um contrato a cumprir com a FdC e não cumpriu. No limite quem perdeu dinheiro foi o erário público e o erário público somos todos nós.

    Que se note que não falo dos actores, funcionários nem de nenhum outro pessoal que trabalha na Seiva Trupe. Esses merecem o nosso maior respeito. Falo da gestão da Companhia que, a par do Estado, caminharam lado a lado para o fosso em que presentemente se encontram.

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  5. Cara Nina Teodoro,

    Desculpe-me a intromissão mas, pelo seu email, depreendi que está ligada à Companhia. Se assim o for parece-me que estamos de acordo em assumir que a Seiva Trupe é uma das pedras basilares do teatro na cidade do Porto e, neste momento, a imagem da companhia foi manchada pela CMP - situação que merece ser rectificada.

    Nessa linha, e de forma a repor a verdade, venho pedir-lhe se poderei aceder à contabilidade da mesma de forma a escrever uma peça isenta e com sentido de responsabilidade. Do lado da CMP disponibilizaram-me informação semelhante à emitida pelo Gabinete de Comunicação a 17 de Novembro sendo que - seria do interesse de todos - ter um artigo onde os números fossem explanados com rigor e isenção de forma a limpar não só o bom-nome da Companhia como por às claras factos que actualmente correm como verdadeiros (e possivelmente não são).

    Na próxima segunda-feira haveria disponibilidade sua ou de alguém da Seiva Trupe em facultar-me essa informação?

    Obrigado pela amabilidade,
    Francisco

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  7. Cara Nina, claro que aguardo e muito agradeço a disponibilidade. Quando a companhia voltar da Galiza pff entre em contacto para ver o que podemos agendar. É normal que "ande tudo magoado", a Seiva Trupe sempre foi a Companhia da Cidade pelo que o assunto é extremamente sério. Se há documentação que prova que a Seiva Trupe cumpriu com todas as suas obrigações e que a CMP está a agir de má-fé, deve ser disponibilizada de forma a esclarecer a opinião pública.

    Obrigado pela amabilidade,
    Francisco

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    1. Vimos pedir o favor de nos enviar para o e-mail: teatro@seivatrupe.pt a sua morada e telefone a fim de ser marcado um encontro pessoal com o n/ contabilista.

      Com os melhores cumprimentos

      Nina Teodoro

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