sexta-feira, 5 de junho de 2009

A União Europeia ao virar da esquina


Na União Europeia multiplicam-se os estudos e declarações sobre a importância da cultura - e, às vezes, da arte - na construção da Europa. A Cultura, dizem-nos, é o caminho para a criação de uma identidade europeia plural e é motor de desenvolvimento. Ainda bem que assim é.

Obviamente importa-nos apontar o dedo ao que não funciona; é essencial num esforço colectivo de cidadania europeia. Mas, e talvez por trabalharmos na Área Metropolitana do Porto e termos aprendido da pior maneira que em cultura se pode andar décadas para trás sem aviso prévio, temos de repetir: ainda bem que no discurso europeu – e em muitas acções – a cultura importa.

Dito isto, avançamos agora para as ideias – e práticas – que nos inquietam.


Inquieta-nos que a cultura – e a arte – ,para serem legitimadas, sejam sempre e inevitavelmente associadas ora às suas potencialidades económicas ora à sua eficácia social.

As indústrias criativas e o turismo não são arte nem resumem o que é cultura. Uma Europa culturalmente dinâmica e artisticamente forte ganhará muito com as indústrias criativas e o turismo? Certamente. Mas instrumentalizar a produção cultural e a criação artística é uma perversão suicida.

As práticas culturais – e artísticas – são essenciais nas políticas de coesão social, de combate à exclusão e de promoção de uma sociedade plural e com direitos. Todos concordaremos. Mas não as substituem. Exigir aos agentes culturais e aos artistas o que os decisores políticos e económicos não fazem e até, nessas exigências, esconder políticas de sinal contrário, é assustador.


Inquieta-nos que os projectos europeus estejam tão distantes do nosso quotidiano. Inquieta-nos não compreender o jargão europeu e que ele exista. Inquieta-nos que nos digam que precisamos de exércitos de mediadores para compreender o mundo em que vivemos. Inquieta-nos a incapacidade de criar mecanismos reais de comunicação.

A mobilidade dos artistas continua a ser tratada apenas como facilitadora do acolhimento de artistas estrangeiros por grande instituições culturais. Não há ainda uma plataforma em que um artista, ou um grupo de artistas, resolva sozinho e facilmente a logística burocrática relativa à sua circulação pela Europa.

A forma como são analisados e avaliados os projectos de financiamento europeu é extraordinariamente opaca. A sua compreensão – e o sucesso das candidaturas – continua a ser propriedade de um grupo restrito de especialistas em projectos europeus.

A União Europeia parece incapaz de tirar partido dos projectos que surgem espontaneamente; só consegue ver os seus objectivos a serem prosseguidos por projectos criados em gabinete para a convencerem disso mesmo. Algures entre as intenções e as decisões perde-se a realidade.


Inquieta-nos que a cooperação europeia seja tão valorizada e nos seja tão complicada.

Não temos fronteiras com três nem com seis países, mas as lógicas do financiamento da cooperação europeia são iguais para nós ou para os belgas. E, na inexistência de programas que apoiem o simples reconhecimento, acabamos quase sempre reféns dos convites dos promotores de países com mais fronteiras.

Temos fronteiras com um outro país europeu. Mas vivemos num país tão centralizado que não conseguimos sequer ligar o Norte à Galiza (para não falar da ligação do país a Lisboa). A decisão dos caminhos da cooperação que nos é permitida, das partilhas transfronteiriças às redes tão queridas de Bruxelas, está concentrada na região que só tem fronteira com o mar.


Acreditamos que as nossas inquietações são armas de construção. Tentaremos ao longo do período eleitoral dar-lhes mais força, discutindo-as com os candidatos portugueses a eurodeputados. Acreditamos que há soluções ao virar da esquina. Resta saber quanto tempo precisaremos para a virar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

HOJE: Debate "Europa e Políticas Culturais" ACTUALIZAÇÃO

A PLATEIA - Associação de Profissionais das Artes Cénicas promove três debates a propósito de políticas culturais no âmbito europeu, nacional e autárquico, por ocasião de cada uma das eleições.

Hoje, segunda-feira, dia 18 de Maio pelas 18h na FNAC de Santa Catarina no Porto, tem lugar o debate a propósito das eleições europeias.

Estarão presentes: Alda Sousa do Bloco de Esquerda, José António Gomes do Partido Comunista Português, Diogo Feio do Partido Popular, Mário David do Partido Social Democrata e Manuel dos Santos do Partido Socialista.

O debate será moderado pela jornalista Inês Nadais do jornal Público.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Debate: Europa e Políticas Culturais

Segunda-feira, dia 18 de Maio pelas 18h na FNAC de Santa Catarina no Porto, tem, finalmente, lugar o debate a propósito das eleições europeias.

Estarão presentes: Alda Sousa do Bloco de Esquerda, José António Gomes do Partido Comunista Português, Mário David do Partido Social Democrata e Manuel dos Santos do Partido Socialista. Aguardamos a confirmação do representante do Partido Popular. O debate será moderado pela jornalista Inês Nadais do jornal Público.

terça-feira, 5 de maio de 2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Debate "Europa e Políticas Culturais"

A PLATEIA - Associação de Profissionais das Artes Cénicas promove três debates a propósito de políticas culturais no âmbito europeu, nacional e autárquico, por ocasião de cada uma das eleições.

É nosso objectivo conhecer as propostas dos cinco partidos com assento parlamentar e contribuir para uma reflexão plural e informada. Os debates decorrerão na FNAC de Santa Catarina no Porto e serão moderados pela jornalista Inês Nadais do jornal Público.

Para cada debate, a PLATEIA elabora um documento em que expõe as suas preocupações e propostas, e que é enviado com antecedência a todos os participantes. Este foi o modelo de debate que estreámos nas última eleições legislativas - em que tivemos o prazer de contar com as presenças de Manuela Melo (PS), Agostinho Branquinho (PSD), José António Gomes (PCP), José Dias Ferreira (PP) e João Teixeira Lopes (BE) - e que se revelou muito interessante.

O primeiro debate será a propósito das eleições europeias e tem lugar já no próximo dia 5 de Maio pelas 18h.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

uma perseguição política sem fim

A Câmara Municipal do Porto não desiste de perseguir e descriminar todos aqueles que se recusam a aceitar que a cidade do Porto seja uma excepção ao estado de direito e à Constituição da República.

Ao contrário de outros festivais agendados para a cidade em 2009 o Fazer a Festa não será apoiado pela autarquia. E a única razão que o justifica é o facto de o Teatro Art`Imagem (promotor do festival) não desistir da sua acção judicial contra o munícipio.

Este executivo municipal cobre de vergonha a memória de uma cidade cuja imagem sempre esteve associada à pluralidade e à liberdade de expressão.

A primeira sessão do julgamento da acção movida pelo Teatro Art´Imagem foi adiada para amanhã, 17 de Abtil de 2009, no TAF do Porto.

domingo, 22 de março de 2009

Solidários com o Art`Imagem

Terça-feira, 24 de Abril, pelas 10.00h, inicia-se no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, a audiência de julgamento da acção que o Teatro Art`Imagem moveu contra a Câmara Municipal do Porto.

Recordamos que a origem deste processo se prende com o cancelamento do apoio da autarquia ao Festival Fazer a Festa, motivado pela recusa do Teatro Art`Imagem em subscrever uma cláusula que o impedia de posteriormente criticar a Câmara Municipal.

Neste processo julga-se muito mais do que um apoio financeiro a um festival de teatro. Neste processo julga-se o direito à liberdade de expressão e os deveres da Administração num Estado de Direito. E claro, discute-se a ideia de cidade que queremos ter. E aquela que frontalmente e com coragem o Art`Imagem recusou.

Na Terça-feira somos todos do Art`Imagem.