Foi, na passada sexta-feira, proferida sentença pelo Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto (TAFP) na acção intentada pela PLATEIA contra o Município do Porto e onde era indicado Filipe La Féria como contra-interessado, no início de 2007. Esta sentença fornece fundamentação importante para o seguimento de acção diversa, com entrada posterior no TAFP, entretanto suspensa nos seus procedimentos aguardando a presente decisão, em que é atacado o contrato de direito privado que é o que foi de facto celebrado entre a autarquia e a entidade representada por Filipe La Féria.
Na presente sentença o TAFP decide "que a entidade demandada (Município do Porto) não pode manter a escolha efectuada e o contrato que a suporta dada a invalidade desde logo do acto que determinou a abertura do procedimento e que afecta todos os actos subsequentes."
Conclui ainda o TAFP que "estando o Teatro Municipal Rivoli afecto a fins de utilidade pública, não estará linearmente sujeito ao regime do direito privado e ao comércio jurídico correspondente", não concedendo que a relação em crise possa ser estabelecida com base em contrato de direito privado como pretende o Município.
O Município do Porto nunca celebrou de facto o contrato agora anulado pelo Tribunal. Reconheceu a Autarquia, nesse acto, a irregularidade do procedimento que ela própria levou a cabo, o que nunca fez perante o Tribunal. Fica assim claro que o poder executivo autárquico fugiu à Lei que conhece. Com isso forçou a PLATEIA a instaurar acção paralela que seguirá agora o seu curso. Aguardamos pela decisão do Tribunal, essa sim com possibilidade de impacto real na acção do Município.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
MayDay Porto 2010

Desde a estreia em Milão (2001), o MayDay tem-se multiplicado por todo o mundo. Em 2007, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, repetindo-se em 2008. Em 2009, realizou-se pela primeira vez, o MayDay no Porto. Em 2010, novamente, o precariado sairá à rua em Lisboa e no Porto, no MayDay 2010.
1 DE MAIO::13h00::PRAÇA DOS POVEIROS - PORTO
Entre os profissionais das artes cénicas, a precariedade das relações laborais é quase sempre a norma. Por isso a PLATEIA não pode deixar de se associar a esta parada contra a precariedade.
Apareçam e divulguem!
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Apoios Pontuais 1º semestre - Comunicado
Ex.mo Senhor
Director-Geral das Artes
Dr. Jorge Barreto Xavier
CC.: Sua Ex.cia Ministra da Cultura
A/c.: Ex.mo Chefe de Gabinete
CC.: Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura
A/c.: Ex.mo Presidente da Comissão
Porto, 22 de Abril de 2010
Assunto: Atraso dos procedimentos de avaliação no âmbito do concurso para financiamento pela DGArtes/MC a projectos pontuais do 1º semestre de 2010
Os nossos melhores cumprimentos.
O prazo de candidatura de projectos pontuais para execução no primeiro semestre de 2010 (com obrigação de estreia/inauguração até 30 de Junho) terminou no dia 2 de Fevereiro. Está previsto no Regulamento das Modalidades de apoio Directo às Artes (publicado na Portaria 1204-A/2008 de 17 de Outubro), no nº 1 do Artigo 17.º que “As candidaturas são apreciadas e avaliadas, no prazo de 30 dias úteis a contar da data limite para a apresentação das candidaturas”, prazo que terminou no passado dia 16 de Março. Por volta dessa data, receberam os candidatos um lacónico e-mail comunicando “que, para efeitos de audiência prévia, serão notificados da proposta de decisão a partir de 6 de Abril de 2010”.
Estamos a 22 de Abril. O tempo transcorrido desde a data limite de apresentação das candidaturas já atingiu quase o dobro do prazo regulamentar para apreciação e avaliação das candidaturas. Ainda não foi comunicada a proposta de decisão aos candidatos. Decorrerá depois o período de audiência de interessados, depois o despacho de decisão final a que se seguirá o período para entrega de documentação legal necessária para protocolar os apoios, a cabimentação de verbas e por fim os pagamentos protocolados. É já impossível que os financiamentos sejam recebidos antes do último mês do semestre a que se destinam, o mês de Junho.
Confirma-se assim, infelizmente, o cenário desenhado pela PLATEIA em comunicado de Dezembro último. Fica em grande parte anulado o propósito público destes financiamentos: promover a apresentação pública de projectos das diferentes áreas artísticas no todo nacional ao longo de seis meses. Mais, tendo os projectos candidatos sido desenhados para se desenvolverem ao longo de seis meses com pelo menos estreia/inauguração até 30 de Junho, quando for conhecida a decisão final serão na quase totalidade já inexequíveis tanto nos tempos como nas equipas propostos. É que estes projectos pontuais são gerados por colectivos ad hoc ou estruturas ainda sem consolidação financeira e de equipas, dependendo desta decisão para desencadear o processo produtivo. Mais ainda, os processos produtivos nas áreas das artes cénicas – as que nós representamos – estão longe de ser instantâneos, situando-se a sua duração média entre os 2 e os 3 meses. E há que ter o tempo de recuo para a promoção e divulgação.
Tendo tudo isto em conta, a PLATEIA solicita a Vª Exª que considere tomar as seguintes medidas imediatas:
1. Promover a comunicação urgente da proposta de decisão dos apoios directos a projectos pontuais do primeiro semestre;
2. Prolongar o prazo limite para estreia/inauguração dos projectos financiados até 30 de Setembro, continuando a permitir que o desenvolvimento desses projectos se prolongue mais três meses.
Considera ainda a PLATEIA que esta situação terá de ter uma consequência positiva na evolução e melhoramento dos procedimentos concursais, obrigando, numa atitude responsável, a proceder à sua alteração no futuro. Manter este quadro significa anular grande parte do potencial retorno do investimento financeiro feito, significa má gestão de dinheiros públicos, significa empobrecimento da produção artística e da sua oferta ao público.
Consideramos assim premente que:
1. Seja promovida a abertura do prazo de candidaturas de projectos pontuais para o segundo semestre de 2010 ainda durante o mês de Maio (mesmo assim será previsível o conhecimento da decisão apenas em Setembro, a meio do segundo semestre);
2. No regulamento destes apoios directos fique consignado como prazo de apreciação e avaliação o período de 60 dias úteis;
3. No mesmo regulamento fique prevista a abertura do prazo de candidaturas no mês de Setembro (do ano anterior a que reportam) para o primeiro semestre e no mês de Março para o projectos a desenvolver no segundo semestre do mesmo ano.
Não pode também a PLATEIA deixar de manifestar a sua preocupação sobre os concursos para apoio directo anual em curso. Somando os prazos regulamentarmente previstos para verificação administrativa (dez dias úteis) e para apreciação e avaliação (60 dias) à data em que terminou o prazo de apresentação de candidaturas (4 de Fevereiro), deveria ter já sido comunicada a proposta de decisão no passado dia 19 de Abril. O que não aconteceu.
Solicita a PLATEIA informação sobre o andamento destes procedimentos.
Na expectativa,
Atentamente e ao dispor,
Pela Direcção da PLATEIA
Ada Pereira da Silva
(tlm 966131736)
www.plateia-apac.blogspot.com
Director-Geral das Artes
Dr. Jorge Barreto Xavier
CC.: Sua Ex.cia Ministra da Cultura
A/c.: Ex.mo Chefe de Gabinete
CC.: Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura
A/c.: Ex.mo Presidente da Comissão
Porto, 22 de Abril de 2010
Assunto: Atraso dos procedimentos de avaliação no âmbito do concurso para financiamento pela DGArtes/MC a projectos pontuais do 1º semestre de 2010
Os nossos melhores cumprimentos.
O prazo de candidatura de projectos pontuais para execução no primeiro semestre de 2010 (com obrigação de estreia/inauguração até 30 de Junho) terminou no dia 2 de Fevereiro. Está previsto no Regulamento das Modalidades de apoio Directo às Artes (publicado na Portaria 1204-A/2008 de 17 de Outubro), no nº 1 do Artigo 17.º que “As candidaturas são apreciadas e avaliadas, no prazo de 30 dias úteis a contar da data limite para a apresentação das candidaturas”, prazo que terminou no passado dia 16 de Março. Por volta dessa data, receberam os candidatos um lacónico e-mail comunicando “que, para efeitos de audiência prévia, serão notificados da proposta de decisão a partir de 6 de Abril de 2010”.
Estamos a 22 de Abril. O tempo transcorrido desde a data limite de apresentação das candidaturas já atingiu quase o dobro do prazo regulamentar para apreciação e avaliação das candidaturas. Ainda não foi comunicada a proposta de decisão aos candidatos. Decorrerá depois o período de audiência de interessados, depois o despacho de decisão final a que se seguirá o período para entrega de documentação legal necessária para protocolar os apoios, a cabimentação de verbas e por fim os pagamentos protocolados. É já impossível que os financiamentos sejam recebidos antes do último mês do semestre a que se destinam, o mês de Junho.
Confirma-se assim, infelizmente, o cenário desenhado pela PLATEIA em comunicado de Dezembro último. Fica em grande parte anulado o propósito público destes financiamentos: promover a apresentação pública de projectos das diferentes áreas artísticas no todo nacional ao longo de seis meses. Mais, tendo os projectos candidatos sido desenhados para se desenvolverem ao longo de seis meses com pelo menos estreia/inauguração até 30 de Junho, quando for conhecida a decisão final serão na quase totalidade já inexequíveis tanto nos tempos como nas equipas propostos. É que estes projectos pontuais são gerados por colectivos ad hoc ou estruturas ainda sem consolidação financeira e de equipas, dependendo desta decisão para desencadear o processo produtivo. Mais ainda, os processos produtivos nas áreas das artes cénicas – as que nós representamos – estão longe de ser instantâneos, situando-se a sua duração média entre os 2 e os 3 meses. E há que ter o tempo de recuo para a promoção e divulgação.
Tendo tudo isto em conta, a PLATEIA solicita a Vª Exª que considere tomar as seguintes medidas imediatas:
1. Promover a comunicação urgente da proposta de decisão dos apoios directos a projectos pontuais do primeiro semestre;
2. Prolongar o prazo limite para estreia/inauguração dos projectos financiados até 30 de Setembro, continuando a permitir que o desenvolvimento desses projectos se prolongue mais três meses.
Considera ainda a PLATEIA que esta situação terá de ter uma consequência positiva na evolução e melhoramento dos procedimentos concursais, obrigando, numa atitude responsável, a proceder à sua alteração no futuro. Manter este quadro significa anular grande parte do potencial retorno do investimento financeiro feito, significa má gestão de dinheiros públicos, significa empobrecimento da produção artística e da sua oferta ao público.
Consideramos assim premente que:
1. Seja promovida a abertura do prazo de candidaturas de projectos pontuais para o segundo semestre de 2010 ainda durante o mês de Maio (mesmo assim será previsível o conhecimento da decisão apenas em Setembro, a meio do segundo semestre);
2. No regulamento destes apoios directos fique consignado como prazo de apreciação e avaliação o período de 60 dias úteis;
3. No mesmo regulamento fique prevista a abertura do prazo de candidaturas no mês de Setembro (do ano anterior a que reportam) para o primeiro semestre e no mês de Março para o projectos a desenvolver no segundo semestre do mesmo ano.
Não pode também a PLATEIA deixar de manifestar a sua preocupação sobre os concursos para apoio directo anual em curso. Somando os prazos regulamentarmente previstos para verificação administrativa (dez dias úteis) e para apreciação e avaliação (60 dias) à data em que terminou o prazo de apresentação de candidaturas (4 de Fevereiro), deveria ter já sido comunicada a proposta de decisão no passado dia 19 de Abril. O que não aconteceu.
Solicita a PLATEIA informação sobre o andamento destes procedimentos.
Na expectativa,
Atentamente e ao dispor,
Pela Direcção da PLATEIA
Ada Pereira da Silva
(tlm 966131736)
www.plateia-apac.blogspot.com
quarta-feira, 21 de abril de 2010
IETM - Em busca do Plano C
Entre 15 e 18 de Abril, a PLATEIA esteve presente em Berlim, cidade sitiada pelas cinzas de um vulcão na Islândia, numa reunião plenária do IETM – Internacional Network for Contemporary Performing Arts. O IETM, que reúne habitualmente na Primavera e no Outono de cada ano, é uma organização internacional que agrega mais de 400 membros, de todo o mundo, ligados às artes performativas. Os membros são extremamente heterogéneos, entre companhias, empresas de produção, redes privadas e públicas, teatros nacionais e municipais, institutos públicos, membros individuais etc. Em comum todos parecem ter um forte empenho em partilhar práticas, informação, know how e, claro, facilitar eventuais possibilidades de parceria e produção. Será portanto entre esta imensa contaminação – cultural, disciplinar e produtiva – que se sublinha a importantíssima componente política e de cidadania que marca todo o trabalho da organização.
E Berlim, cidade que nas últimas décadas se reinventou sucessivamente, apesar de carregar com especial sacrifício os constrangimentos da História política do seu tempo, não podia ter sido melhor escolha para uma comunidade à procura da saída para a crise que todos os dias é anunciada como omnipresente. Como um fantasma que todos afirmam ver sem que ninguém consiga afastar. E se as situações de crise foram, naturalmente e desde sempre, o berço de uma inesquecível série de heróis e de dramas, a verdade é que no nosso quotidiano deparamos bem mais frequentemente com comportamentos egoístas em que a cada um apenas interessa a sobrevivência do seu projecto pessoal, ignorando tudo e todos os outros, sejam este tudo e estes outros definidos por gerações, geografias ou, e agora no campo das artes, estéticas. E se a isto juntarmos uma maioria de agentes a trabalharem “projecto-a-projecto”, e portanto sem tempo ou disponibilidade para pensarem a um prazo mais longo ou num nível mais alargado, teremos uma comunidade tendencialmente fechada sobre si mesma e tendencialmente preconceituosa relativamente à associação do seu trabalho a outras áreas como a educação, a economia ou a ciência. Uma comunidade que se recusa a fazer política e que quando muita a usa quando lhe dá jeito, mas que verdadeiramente não a faz. E esta insustentável indiferença perante a acção política acaba por se reflectir na abordagem que os artistas, nomeadamente os artistas performativos, fazem dos decisores políticos; Esquecendo constantemente a afirmação do que têm para dar e que a Polis reclama – porque há muito que perderam de vista a Polis – limitam-se a a sublinhar incessantemente a (incontestável) gravidade dos seus problemas. Em Berlim a nota dominante foi então, mais uma vez nos encontros do IETM, a necessidade de os artistas compreenderem as suas responsabilidades políticas, como se, e em particular num mundo em rápida mutação, não se pudesse fazer arte e simultaneamente recusar o envolvimento político. Mas repare-se que as vias para solução deste aparente impasse encontram-se não só na alteração do discurso dos criadores – substituindo os pedidos desesperados de solução pela oferta de um capital não só simbólico e pragmático de que a sociedade não pode prescindir – mas também pela capacidade dos titulares de cargos públicos de desenvolverem projectos globais que facilitem a compreensão das relações de interdependência entre arte, ciência, cultura e economia e que permitam aos artistas e aos demais agentes desenvolverem o seu trabalho de forma mais sustentada. Porque o retorno do investimento feito pelos contribuintes é tanto maior quanto melhor puder ser a planificação da produção do trabalho criativo e produtivo.
Em Portugal este impasse apresenta-se ainda colorido por diversas particularidades. Não bastassem às Artes Perfornativas serem o enteado da Cultura – sem direito a uma rede pública como os filhos legítimos (bibliotecas e museus) - e as tradicionais dificuldades associativas do sector – dificultando a formação de uma massa crítica susceptível de gerar mudanças estruturadas – encontramos também uma Ministra da Cultura que – afirmando-se de um Partido de centro esquerda – propõe os mesmos caminhos que a direita francesa de Nicolas Sarkozy e não hesita mesmo em usar repetidamente o vocabulário da direita portuguesa. Veja-se, quanto aos primeiros, a “luminosa” ideia de – e porque a crise pode ser uma boa desculpa para qualquer disparate – substituir uma política promotora da diversidade e pluralidade por uma política promotora de algo tão vago e insindicável como a “qualidade”. E quanto ao segundo atente-se como somos agora novamente mergulhados num discurso - extraído algures entre os Secretários de Estado da Cultura dos Governos PSD de há vinte anos e o populismo do actual executivo da Câmara Municipal do Porto – que desliza do apoio financeiro à prossecução de um bem público para o estigma da “subsidiodependência”.
A crise podia-se assim definir como um animal estranho que se alimenta de si próprio, pois os modelos que nos conduzem (conduziram) a ela são sistematicamente os mesmos que nos pretendem tirar dela. Ou se não são os mesmos modelos são os mesmos autores de modelos o que acaba por ser exactamente a mesma coisa. Veja-se no sector financeiro, e só mesmo a título de exemplo, como as agências que “supervisionaram” a queda do sistema são as mesmas que zelam pela sua tentativa de recuperação. Ainda assim, e se considerarmos também que há já 18 meses que os economistas dizem que o impacto no sector cultural é diferido mas não falha, as transformações a que assistimos – sociais, financeiras, climáticas – podem originar a perda de patamares civilizacionais de que considerávamos não haver retrocesso (afinal quem é que julgava há 10 anos que uma cidade média europeia, como o Porto, pudesse encerrar o seu teatro municipal?). Em Berlim, e ainda sem saberem como regressar a casa, algumas centenas de pessoas, pareceram acreditar que uma das saídas para a crise pode ser parar de falar nela. Claro que os modelos de relação entre os agentes, e destes com os decisores e com os cidadãos, terão que ser transformados pelo espírito crítico de quem sabe, porque faz arte, que as fórmulas do passado não se podem aplicar ao presente. Mas sem partilha, coragem, generosidade e curiosidade nada será possível. Por isso à saída da última sessão deste encontro, e com o aeroporto encerrado e o caos instalado nas estações de comboios, um cartaz, com um número de telefone , colocado por um dos participantes locais, perguntava “Está retido em Berlim sem ter onde ficar? Ligue-me, eu tenho uma casa grande e posso ajudar.”
por Carlos Costa, representante da PLATEIA no meeting IETM, sitiado em Berlim
E Berlim, cidade que nas últimas décadas se reinventou sucessivamente, apesar de carregar com especial sacrifício os constrangimentos da História política do seu tempo, não podia ter sido melhor escolha para uma comunidade à procura da saída para a crise que todos os dias é anunciada como omnipresente. Como um fantasma que todos afirmam ver sem que ninguém consiga afastar. E se as situações de crise foram, naturalmente e desde sempre, o berço de uma inesquecível série de heróis e de dramas, a verdade é que no nosso quotidiano deparamos bem mais frequentemente com comportamentos egoístas em que a cada um apenas interessa a sobrevivência do seu projecto pessoal, ignorando tudo e todos os outros, sejam este tudo e estes outros definidos por gerações, geografias ou, e agora no campo das artes, estéticas. E se a isto juntarmos uma maioria de agentes a trabalharem “projecto-a-projecto”, e portanto sem tempo ou disponibilidade para pensarem a um prazo mais longo ou num nível mais alargado, teremos uma comunidade tendencialmente fechada sobre si mesma e tendencialmente preconceituosa relativamente à associação do seu trabalho a outras áreas como a educação, a economia ou a ciência. Uma comunidade que se recusa a fazer política e que quando muita a usa quando lhe dá jeito, mas que verdadeiramente não a faz. E esta insustentável indiferença perante a acção política acaba por se reflectir na abordagem que os artistas, nomeadamente os artistas performativos, fazem dos decisores políticos; Esquecendo constantemente a afirmação do que têm para dar e que a Polis reclama – porque há muito que perderam de vista a Polis – limitam-se a a sublinhar incessantemente a (incontestável) gravidade dos seus problemas. Em Berlim a nota dominante foi então, mais uma vez nos encontros do IETM, a necessidade de os artistas compreenderem as suas responsabilidades políticas, como se, e em particular num mundo em rápida mutação, não se pudesse fazer arte e simultaneamente recusar o envolvimento político. Mas repare-se que as vias para solução deste aparente impasse encontram-se não só na alteração do discurso dos criadores – substituindo os pedidos desesperados de solução pela oferta de um capital não só simbólico e pragmático de que a sociedade não pode prescindir – mas também pela capacidade dos titulares de cargos públicos de desenvolverem projectos globais que facilitem a compreensão das relações de interdependência entre arte, ciência, cultura e economia e que permitam aos artistas e aos demais agentes desenvolverem o seu trabalho de forma mais sustentada. Porque o retorno do investimento feito pelos contribuintes é tanto maior quanto melhor puder ser a planificação da produção do trabalho criativo e produtivo.
Em Portugal este impasse apresenta-se ainda colorido por diversas particularidades. Não bastassem às Artes Perfornativas serem o enteado da Cultura – sem direito a uma rede pública como os filhos legítimos (bibliotecas e museus) - e as tradicionais dificuldades associativas do sector – dificultando a formação de uma massa crítica susceptível de gerar mudanças estruturadas – encontramos também uma Ministra da Cultura que – afirmando-se de um Partido de centro esquerda – propõe os mesmos caminhos que a direita francesa de Nicolas Sarkozy e não hesita mesmo em usar repetidamente o vocabulário da direita portuguesa. Veja-se, quanto aos primeiros, a “luminosa” ideia de – e porque a crise pode ser uma boa desculpa para qualquer disparate – substituir uma política promotora da diversidade e pluralidade por uma política promotora de algo tão vago e insindicável como a “qualidade”. E quanto ao segundo atente-se como somos agora novamente mergulhados num discurso - extraído algures entre os Secretários de Estado da Cultura dos Governos PSD de há vinte anos e o populismo do actual executivo da Câmara Municipal do Porto – que desliza do apoio financeiro à prossecução de um bem público para o estigma da “subsidiodependência”.
A crise podia-se assim definir como um animal estranho que se alimenta de si próprio, pois os modelos que nos conduzem (conduziram) a ela são sistematicamente os mesmos que nos pretendem tirar dela. Ou se não são os mesmos modelos são os mesmos autores de modelos o que acaba por ser exactamente a mesma coisa. Veja-se no sector financeiro, e só mesmo a título de exemplo, como as agências que “supervisionaram” a queda do sistema são as mesmas que zelam pela sua tentativa de recuperação. Ainda assim, e se considerarmos também que há já 18 meses que os economistas dizem que o impacto no sector cultural é diferido mas não falha, as transformações a que assistimos – sociais, financeiras, climáticas – podem originar a perda de patamares civilizacionais de que considerávamos não haver retrocesso (afinal quem é que julgava há 10 anos que uma cidade média europeia, como o Porto, pudesse encerrar o seu teatro municipal?). Em Berlim, e ainda sem saberem como regressar a casa, algumas centenas de pessoas, pareceram acreditar que uma das saídas para a crise pode ser parar de falar nela. Claro que os modelos de relação entre os agentes, e destes com os decisores e com os cidadãos, terão que ser transformados pelo espírito crítico de quem sabe, porque faz arte, que as fórmulas do passado não se podem aplicar ao presente. Mas sem partilha, coragem, generosidade e curiosidade nada será possível. Por isso à saída da última sessão deste encontro, e com o aeroporto encerrado e o caos instalado nas estações de comboios, um cartaz, com um número de telefone , colocado por um dos participantes locais, perguntava “Está retido em Berlim sem ter onde ficar? Ligue-me, eu tenho uma casa grande e posso ajudar.”
por Carlos Costa, representante da PLATEIA no meeting IETM, sitiado em Berlim
sábado, 10 de abril de 2010
Propostas Legislativas para as Artes Cénicas
Propostas Legislativas na área das Artes Cénicas
Anteprojecto para a Criação da Rede de Teatros e Cine-Teatros
APRESENTAÇÃO PÚBLICA / DEBATE
Dia 12 de Abril (2ªf), 21h
Teatro Latino
(acesso pela entrada de artistas)
Em resposta ao desafio lançado pela deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins, membro da Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, convidamos todos os associados e profissionais das artes cénicas a participar neste debate.
Uma oportunidade de contribuirmos para o que na AR sobre nós se venha a definir.
Anteprojecto para a Criação da Rede de Teatros e Cine-Teatros
APRESENTAÇÃO PÚBLICA / DEBATE
Dia 12 de Abril (2ªf), 21h
Teatro Latino
(acesso pela entrada de artistas)
Em resposta ao desafio lançado pela deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins, membro da Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, convidamos todos os associados e profissionais das artes cénicas a participar neste debate.
Uma oportunidade de contribuirmos para o que na AR sobre nós se venha a definir.
quinta-feira, 18 de março de 2010
II Prémio de Actores de Cinema da GDA 2008
A GDA atribuiu o II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008 a Anabela Moreira e Tiago Rodrigues como Melhor Actriz Principal e Melhor Actor Secundário, respectivamente, pelas suas representações no filme "Mal Nascida".
A cerimónia de entrega do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008 teve lugar no passado dia 19 de Fevereiro, no Palácio Foz, em Lisboa.
A GDA - Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas, Intérpretes ou Executantes (www.gdaie.pt)- uma entidade de interesse público, sem fins lucrativos, e cujo objectivo é a gestão colectiva dos Direitos dos Artistas, onde se incluem actores, bailarinos e músicos -, na esteira da sua política de valorização e reconhecimento do mérito artístico dos profissionais portugueses e da dignificação das carreiras artísticas no nosso país, nomeou como vencedores do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008 nas categorias de Melhor Actriz Principal e Melhor Actor Secundário Anabela Moreira, que foi distinguida com o Prémio de Melhor Actriz Principal e Tiago Rodrigues com o Prémio de Melhor Actor Secundário, pelos seus desempenhos no filme “Mal-Nascida”.
Para a atribuição do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008, o júri (constituído pelos actores João Perry, Antonino Solmer e Teresa Madruga), deliberou após análise das 14 obras a concurso (todas as longas-metragens de ficção e origem nacional estreadas durante o ano de 2008) e depois de proceder à avaliação dos desempenhos dos respectivos actores e actrizes.
“A GDA congratula-se por mais uma vez atribuir o Prémio Actores de Cinema GDA e deste modo reconhecer e distinguir o talento e o trabalho dos actores portugueses. Este Prémio que tem um valor particular porque foi criado por artistas, é decidido por um júri que integra apenas actores e distingue os seus pares. Com esta iniciativa, o Fundo Cultural da GDA espera contribuir para o desenvolvimento de uma política cultural e artística no nosso país”, afirma Suzana Borges, responsável pelo Fundo Cultural da GDA.
Para Teresa Madruga, João Perry e Antonino Solmer, membros do Júri do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008: “estes prémios traduzem uma oportunidade de revisitar, com encanto e admiração, o trabalho dos nossos colegas actores. Estamos muito satisfeitos por, mais uma vez, se ter deliberado por unanimidade a atribuição destes prémios da GDA e saudamos vivamente a continuação desta iniciativa, cuja afirmação julgamos poder vir a contribuir grandemente para o reconhecimento do nosso trabalho em Portugal”.
Anabela Moreira, distinguida com o Prémio de Melhor Actriz Principal 2008 afirma a propósito que: “É uma honra e um privilégio ser premiada e distinguida pelos meus pares.”
A primeira edição do Prémio GDA Actores de Cinema distinguiu Ivo Canelas como Melhor Actor Principal, pelo seu desempenho nos filmes “Call Girl” e “ O Mistério da Estrada de Sintra”, e José Eduardo como Melhor Actor Secundário, pelo seu desempenho nos filmes “Julgamento”, “Corrupção” e “Dot.com”.
A cerimónia de entrega do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008 teve lugar no passado dia 19 de Fevereiro, no Palácio Foz, em Lisboa.
A GDA - Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas, Intérpretes ou Executantes (www.gdaie.pt)- uma entidade de interesse público, sem fins lucrativos, e cujo objectivo é a gestão colectiva dos Direitos dos Artistas, onde se incluem actores, bailarinos e músicos -, na esteira da sua política de valorização e reconhecimento do mérito artístico dos profissionais portugueses e da dignificação das carreiras artísticas no nosso país, nomeou como vencedores do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008 nas categorias de Melhor Actriz Principal e Melhor Actor Secundário Anabela Moreira, que foi distinguida com o Prémio de Melhor Actriz Principal e Tiago Rodrigues com o Prémio de Melhor Actor Secundário, pelos seus desempenhos no filme “Mal-Nascida”.
Para a atribuição do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008, o júri (constituído pelos actores João Perry, Antonino Solmer e Teresa Madruga), deliberou após análise das 14 obras a concurso (todas as longas-metragens de ficção e origem nacional estreadas durante o ano de 2008) e depois de proceder à avaliação dos desempenhos dos respectivos actores e actrizes.
“A GDA congratula-se por mais uma vez atribuir o Prémio Actores de Cinema GDA e deste modo reconhecer e distinguir o talento e o trabalho dos actores portugueses. Este Prémio que tem um valor particular porque foi criado por artistas, é decidido por um júri que integra apenas actores e distingue os seus pares. Com esta iniciativa, o Fundo Cultural da GDA espera contribuir para o desenvolvimento de uma política cultural e artística no nosso país”, afirma Suzana Borges, responsável pelo Fundo Cultural da GDA.
Para Teresa Madruga, João Perry e Antonino Solmer, membros do Júri do II Prémio de Actores de Cinema GDA 2008: “estes prémios traduzem uma oportunidade de revisitar, com encanto e admiração, o trabalho dos nossos colegas actores. Estamos muito satisfeitos por, mais uma vez, se ter deliberado por unanimidade a atribuição destes prémios da GDA e saudamos vivamente a continuação desta iniciativa, cuja afirmação julgamos poder vir a contribuir grandemente para o reconhecimento do nosso trabalho em Portugal”.
Anabela Moreira, distinguida com o Prémio de Melhor Actriz Principal 2008 afirma a propósito que: “É uma honra e um privilégio ser premiada e distinguida pelos meus pares.”
A primeira edição do Prémio GDA Actores de Cinema distinguiu Ivo Canelas como Melhor Actor Principal, pelo seu desempenho nos filmes “Call Girl” e “ O Mistério da Estrada de Sintra”, e José Eduardo como Melhor Actor Secundário, pelo seu desempenho nos filmes “Julgamento”, “Corrupção” e “Dot.com”.
Órgãos sociais para 2010 e 2011
Foram eleitos, na Assembleia Geral ordinária de 22 de Fevereiro último, os novos corpos sociais da PLATEIA que têm a seguinte composição:
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente: Mário Moutinho
Vice-Presidente: Ana Vitorino
Secretário: Joclécio Azevedo
Suplente: Adelaide Teixeira
DIRECÇÃO
Presidente: Ada Pereira da Silva
Vice-Presidente: Isabel Barros
Tesoureiro: Julieta Guimarães
Secretário: Paulo Calatré
Vogal: Manuel Tur
1º Suplente: Marina Freitas
2º Suplente: Miguel Cabral
CONSELHO FISCAL
Presidente: Carlos Costa
Vice-Presidente: Inês Maia
Vogal: Jorge Mendo
Suplente: Edgard Fernandes
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente: Mário Moutinho
Vice-Presidente: Ana Vitorino
Secretário: Joclécio Azevedo
Suplente: Adelaide Teixeira
DIRECÇÃO
Presidente: Ada Pereira da Silva
Vice-Presidente: Isabel Barros
Tesoureiro: Julieta Guimarães
Secretário: Paulo Calatré
Vogal: Manuel Tur
1º Suplente: Marina Freitas
2º Suplente: Miguel Cabral
CONSELHO FISCAL
Presidente: Carlos Costa
Vice-Presidente: Inês Maia
Vogal: Jorge Mendo
Suplente: Edgard Fernandes
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