No final dos anos oitenta, Teresa Patrício Gouveia, então Secretária de Estado da Cultura de um Governo do Partido Social Democrata, decidiu que as Companhias de Teatro, em atividade na cidade do Porto, se deveriam fundir ou então encerrar. O resultado deste dirigismo político foi brutal para a cidade, e em particular para todos os que não aceitaram o “convite” do governo central: Umas companhias encerraram enquanto as outras viram os seus financiamentos repentinamente cancelados.
25 anos depois, há novamente um Secretário de Estado da Cultura, de um Governo do Partido Social Democrata, a tentar exterminar as Companhias de Teatro da cidade do Porto. Chama-se Jorge Barreto Xavier, e de um dia para o outro – através de um simples despacho – modificou o paradigma do Apoio às Artes em Portugal, sem por um momento considerar o caso particular da cidade do Porto. Caso particular pela alta densidade e qualidade artística, associada a quatro escolas de teatro que constantemente geram novos projetos e alimentam o tecido profissional (técnico e artístico) de todo o país.
O Secretário de Estado da Cultura decidiu então dividir, sensivelmente a meio, os recursos disponíveis – sendo estes já 50% dos de há quatro anos – em dois concursos: Um para “apoios diretos aos artistas” e outro para “apoios a artistas associados às respetivas autarquias”. Mas no Porto é impossível, de facto, a generalidade dos agentes do setor poder optar por uma candidatura em associação com a sua autarquia; Por um lado, pelas restrições orçamentais inerentes ao concurso, e por outro lado, em virtude da debilidade das relações com a Câmara Municipal local (por vontade desta, claro).
Assim, os cortes de financiamento serão, na cidade do Porto, de 75% (!), condenando metade das Companhias de Teatro a pura e simplesmente encerrar.
Esta situação é mais um atentado grave à cultura e à economia da cidade do Porto, colocando em causa o direito de expressão e fruição artística de uma cidade que sempre se afirmou pela pluralidade e diversidade. Por isso chamamos os cidadãos do Porto para uma concentração, no dia 14 de Janeiro, segunda-feira, pelas 17 horas, junto ao edifício do Jornal de Notícias, na Rua Gonçalo Cristovão, no Porto.
E vamos encontrar-nos aqui porque do outro lado da rua, no número 190, fica precisamente a antiga sede da Companhia de Teatro “Os Comediantes”, uma das vítimas, de há 25 anos, das políticas dirigistas e cegas de um Governo profundamente ignorante do que se passava no Porto; Para dizer, na melhor tradição democrática da cidade, que não aceitamos que se legisle por despacho e que continuamos a repudiar este ataque continuado às instituições culturais da cidade.
Depois da Casa da Música são as Companhias de Teatro. E a seguir o que é que será?
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Abraço à Casa da Música
Um grupo de cidadãos convocou para o próximo dia 30 de Dezembro, Domingo, “um abraço à Casa da Música”, no Porto, como forma de protesto contra a redução de 30% do orçamento imposta pelo governo àquela estrutura, retirando ao Norte do país um dos seus raros pulmões de vitalidade. A PLATEIA solidariza-se com a iniciativa que terá lugar a partir das 15h30, e apela à participação neste acto, bem como à subscrição da Petição "Um Abraço pela Casa da Música" em http://www.peticaopublica. com/PeticaoVer.aspx?pi= P2012N33975
A Direcção
Mário Moutinho, Carlos Costa e Julieta Guimarães
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Comunicado da PLATEIA, sobre o concurso público para Apoio às Artes
Terminou, a 21 de Dezembro, o prazo de
candidaturas do concurso de Apoio às Artes. E por entre a
diminuição, em relação a 2009, de 50% das verbas disponíveis (já
anunciada em sede da aprovação do Orçamento de Estado) e a
estupefação com a súbita mudança de regras, mal houve tempo para
refletir sobre um ponto essencial.
Até aqui, a política para o setor
tinha sido conduzida por Decretos-Lei e pelas respetivas Portarias
Regulamentares, aos quais sempre se associaram os inerentes períodos
de discussão pública e aprovação.
Mas agora, o novíssimo Secretário de
Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, criou uma ferramenta
legislativa que até aqui era ignorada pelo sistema constitucional
português. Trata-se do “Aviso de Abertura”.
Porque se até 2012 um “Aviso de
Abertura” era apenas um aviso de abertura, com Barreto Xavier o
“Aviso de Abertura” passou a ter a dignidade de Decreto-Lei, não
só modificando prioridades anteriormente apontadas para o setor –
inviabilizando o regime da co-produção – como alterando mesmo
todo o paradigma do Apoio às Artes – até aqui centrado no apoio
direto à criação e agora (re)centrado no apoio indireto.
E tudo isto num singelo “Aviso de
Abertura”, sem qualquer discussão pública, sem ouvir os
representantes do setor, sem Conselho de Ministros, sem nada, apenas
com uma assinatura do Diretor Geral das Artes, Samuel Rego.
A Direção da PLATEIA
(Carlos Costa, Julieta Guimarães,
Mário Moutinho)
A PLATEIA – Associação das Artes
Cénicas representa cerca de 20 estruturas e 80 profissionais
individuais, do teatro e da dança, maioritariamente da área do Grande Porto.

sábado, 15 de dezembro de 2012
Guimarães 2012
Exma Senhora Presidente
da Comissão de Educação, Ciência e Cultura
da Assembleia da República
Agora que o ano se aproxima do fim não
podemos deixar de manifestar o nosso vivo repúdio pelo modo como
Guimarães 2012 continua a tratar os artistas, os portugueses e os órgãos
de soberania
Porque neste momento a questão já não é
apenas a do montante em dívida aos artistas, e são imensos os que ainda
não receberam parte, ou mesmo a totalidade, dos seus créditos. E diga-se
que na Capital Europeia da Cultura, ninguém responde já a qualquer
solicitação de esclarecimento, seja esta feita por telefone, mail ou
carta.
Neste momento o que já está em causa é o
absoluto desrespeito pelos portugueses, através de uma campanha de
desinformação, em que o Sr. João Serra, do Conselho de Administração da
Guimarães 2012, garante à imprensa não existirem dívidas. Apesar de os
membros da PLATEIA, e muitos outros, nos garantirem o contrário.
Mais ainda está em causa a redução à
irrelevância da Comissão da Assembleia da República que tentou conhecer
os contornos desta situação e apurar responsabilidade. Basta ver a total
impunidade com que permanecem em funções os responsáveis por esta
calamitosa situação.
A Direção da PLATEIA
A PLATEIA – Associação das Artes Cénicas
representa cerca de 20 estruturas e 80 profissionais individuais, do
teatro e da dança. Maioritariamente da área do grande Porto.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Apoio às Artes Preocupações
Senhora
Presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da
Assembleia da República; Senhoras e Senhores Deputados.
A PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas – fez já sentir, na semana passada, a sua preocupação com as infelizes opções políticas tomadas pelo Senhor Secretário de Estado da Cultura, por ocasião da abertura de procedimento para Apoio às Artes.
A PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas – fez já sentir, na semana passada, a sua preocupação com as infelizes opções políticas tomadas pelo Senhor Secretário de Estado da Cultura, por ocasião da abertura de procedimento para Apoio às Artes.
Mas
cabe-nos também alertar para a a eventual
ilegalidade/inconstitucionalidade do Aviso de Abertura 15486-c/2012,
publicado na 2ª série do DR de 19 de novembro, e assinado pelo
Diretor-Geral das Artes. Neste aviso a Direção-Geral das Artes
procura fixar uma interpretação relativa ao artigo 27 do RAAFE
(Regime de Atribuição de Apoios Financeiros do Estado), na versão
dada pelo DL 196/2008 de 6 de Outubro.
E
quando neste se lê:
“A
mesma atividade e o mesmo projeto não podem beneficiar de apoios
cumulativos previstos no presente decreto lei.”
O
Senhor Diretor-Geral vem dizer, no Aviso de Abertura, que se deve
entender:
“A
mesma atividade e o mesmo projeto não podem beneficiar de apoios
cumulativos, pelo que cada atividade e projeto, incluindo aqueles
desenvolvidos em coprodução, devem figurar apenas em uma única
candidatura.”
Poderemos
dizer que esta interpretação é aparentemente incompreensível e
inoportuna, por colocar em causa um modo de produção (as
co-produções) que pretende simultaneamente diminuir custos e
aumentar a acessibilidade da criação artística.
Mas
a questão é ainda mais grave. Porque ao longo dos últimos 4 anos,
este artigo nunca suscitou qualquer polémica, sedimentando-se na
ordem jurídica a convicção de que este não colocava em causa o
modelo da co-produção; E foi com base nesta certeza e segurança
que administração e cidadãos se foram comportando ao longo dos
últimos anos.
Por
isso o que agora temos aqui parece-nos dever ser encarado como um
erro lamentável que fere o sistema constitucional, permitindo ao
Diretor-Geral das Artes, na prática, assumir poderes legislativos,
alterando, na prática, a norma constante num Decreto-Lei.
Solicitamos
assim que a Comissão se pronuncie sobre esta situação e que, se
como nós o entender, comunique à Direção-Geral das Artes que a
Constituição da República não lhe permite modificar as normas
vigentes, pelo que deverá reformular o referido Aviso de Abertura,
retirando a vinculação à interpretação em causa e prosseguindo o
procedimento nos termos da lei em vigor, tal como até aqui tem sido
interpretada.
Naturalmente
em momento posterior o Governo poderá, se assim entender, alterar a
norma em causa. Mas a Direção-Geral das Artes é que não o deve
poder fazer.
A
Direção da PLATEIA
(Mário
Moutinho, Carlos Costa e Julieta Guimarães)
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Apoio às Artes 2013
Na passada segunda-feira, 19 de novembro, foram publicados em Diário
da República os avisos de abertura de concursos de Apoio às Artes,
nas modalidades Direta e Indireta. Designa-se "Apoio Direto" aquele
a que artistas e programadores podem concorrer de forma autónoma; E
designa-se "Apoio Indireto" aquele que exige uma parceria dos
candidatos com autarquias. Até 2012 a esmagadora maioria do serviço
público prestado pelos artistas nacionais era financiado através de
Apoios Diretos.
A PLATEIA - Associação de Profissionais das Artes Cénicas - manifesta a sua profunda preocupação pela opção do Senhor Secretário de Estado da Cultura, que entendeu, nos respetivos avisos de abertura, dividir a verba disponível sensivelmente a meio, entre Apoios Diretos e Indiretos. E apenas podemos imaginar que o governo está a tentar resolver os problemas da oferta cultural - nomeadamente os provocados pela ausência de uma rede de cine-teatros com cartas de missão e financiamento adequado - à custa da própria criação artística.
Compreenda-se antes de mais que a verba orçamentada para o Apoio às Artes em 2013 é metade da que tinha sido orçamentada, quatro anos antes, para 2009, numa demonstração inequívoca do desprezo a que este governo votou a atividade cultural. Mas a situação torna-se ainda mais grave quando o Senhor Secretário de Estado da Cultura decide penalizar novamente a criação artística, reduzindo os Apoios Diretos a cerca de 50% do orçamento disponível para apoiar as artes em 2013... ou seja reduzindo os Apoios Diretos à criação artística a 25% do valor de 2009 e condenando cerca de metade das estruturas de criação ao encerramento.
O Apoio Direto às artes tem sido, e apesar dos constrangimentos orçamentais, o garante da liberdade da criação artística e da acessibilidade dos públicos a uma pluralidade de propostas. Ao colocar 50% da verba disponível na dependência das iniciativas autárquicas - em busca das verbas que uma Cultura ausente do Conselho de Ministros não encontrou junto do Estado Central - Jorge Barreto Xavier compromete decisivamente o exercício da atividade artística em Portugal, colocando-a na dependência de interesses conjunturais, eleitorais e comerciais. E o Secretário de Estado da Cultura compromete ainda a renovação geral do tecido profissional, condenando as gerações mais jovens a uma existência em que não mais será possível conjugar independência e profissionalização.
Lamentável para quem está em funções há menos de um mês.
A Direção da PLATEIA
A PLATEIA - Associação de Profissionais das Artes Cénicas - manifesta a sua profunda preocupação pela opção do Senhor Secretário de Estado da Cultura, que entendeu, nos respetivos avisos de abertura, dividir a verba disponível sensivelmente a meio, entre Apoios Diretos e Indiretos. E apenas podemos imaginar que o governo está a tentar resolver os problemas da oferta cultural - nomeadamente os provocados pela ausência de uma rede de cine-teatros com cartas de missão e financiamento adequado - à custa da própria criação artística.
Compreenda-se antes de mais que a verba orçamentada para o Apoio às Artes em 2013 é metade da que tinha sido orçamentada, quatro anos antes, para 2009, numa demonstração inequívoca do desprezo a que este governo votou a atividade cultural. Mas a situação torna-se ainda mais grave quando o Senhor Secretário de Estado da Cultura decide penalizar novamente a criação artística, reduzindo os Apoios Diretos a cerca de 50% do orçamento disponível para apoiar as artes em 2013... ou seja reduzindo os Apoios Diretos à criação artística a 25% do valor de 2009 e condenando cerca de metade das estruturas de criação ao encerramento.
O Apoio Direto às artes tem sido, e apesar dos constrangimentos orçamentais, o garante da liberdade da criação artística e da acessibilidade dos públicos a uma pluralidade de propostas. Ao colocar 50% da verba disponível na dependência das iniciativas autárquicas - em busca das verbas que uma Cultura ausente do Conselho de Ministros não encontrou junto do Estado Central - Jorge Barreto Xavier compromete decisivamente o exercício da atividade artística em Portugal, colocando-a na dependência de interesses conjunturais, eleitorais e comerciais. E o Secretário de Estado da Cultura compromete ainda a renovação geral do tecido profissional, condenando as gerações mais jovens a uma existência em que não mais será possível conjugar independência e profissionalização.
Lamentável para quem está em funções há menos de um mês.
A Direção da PLATEIA
Action Culture Europe
Na próxima Quinta e Sexta feira (22 e 23 de Novembro) os líderes dos
países da União Europeia reúnem-se para discutir o orçamento
comunitário para 2014-2020.
Este é o momento para nos dirigirmos ao Governo Português em defesa do investimento europeu na cultura, recusando cortes no orçamento inicialmente previsto para o Programa "Europa Criativa".
A PLATEIA junta-se ao Action Culture Europe numa ação à escala europeia que depende de todos nós: Basta ir a http://www.wearemore.eu/ e subscrever o documento comum que será automaticamente enviado ao governo português e a diversas entidades europeias.
No preciso instante em que se assiste à desorçamentação da cultura em Portugal, importa agir para que a União Europeia não siga o mesmo caminho.
Todos Juntos Somos Muitos!
A Direcção da Plateia
Este é o momento para nos dirigirmos ao Governo Português em defesa do investimento europeu na cultura, recusando cortes no orçamento inicialmente previsto para o Programa "Europa Criativa".
A PLATEIA junta-se ao Action Culture Europe numa ação à escala europeia que depende de todos nós: Basta ir a http://www.wearemore.eu/ e subscrever o documento comum que será automaticamente enviado ao governo português e a diversas entidades europeias.
No preciso instante em que se assiste à desorçamentação da cultura em Portugal, importa agir para que a União Europeia não siga o mesmo caminho.
Todos Juntos Somos Muitos!
A Direcção da Plateia
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