A
PLATEIA manifesta a sua preocupação pelos efeitos da proposta de
orçamento de estado na capacidade de a Direção Geral das Artes cumprir
as obrigações legais a que está sujeita, nomeadamente a abertura de
concursos de apoio pontual e anual às artes em 2014.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Abertura de concursos de apoio pontual e anual às artes
A saída em beleza de Rui Rio
O Presidente do
Executivo Municipal do Porto guardou para os últimos dias do mandato
uma ação simbólico da sua relação com a cultura ao longo dos últimos 12
anos.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Jorge Barreto Xavier, o Ilusionista
Jorge Barreto Xavier, o Ilusionista
Lembram-se do Mandrake?
Pois o famoso mágico, criado por Lee Falk nos anos 30, dizia que é muito fácil criar um número de magia: Basta prender a atenção e causar uma distração.
Por isso esqueçam o Mandrake porque chegou Jorge Barreto Xavier, O Ilusionista.
Durante meses, a PLATEIA denunciou não só as flagrantes violações da lei, incentivadas pelo Secretário de Estado da Cultura do Governo de Pedro Passos Coelho, mas também o desinvestimento brutal (75%) no apoio direto à criação artística.
E no último momento, eis que Xavier, fazendo inveja a Mandrake, tira da cartola verbas que não se sabia existirem, alterando, mais uma vez, as regras do jogo sem qualquer aviso. E o nosso mágico anuncia-se a si próprio como o salvador da pátria, por aumentar o número de Companhias de Teatro apoiadas (pluri)anualmente.
Oh! Obrigado Xavier (aplausos efusivos)!
Que grande número este!
Como é que fizeste isto? (burburinho geral)
Mas espera aí...agora que estamos pensar melhor, isto não faz sentido.
Então o concurso não era (pluri)anual?
Era, pois era?
Portanto o concurso devia financiar Estruturas de criação/programação que funcionam de Janeiro a Dezembro, assumindo custos sociais e cumprindo a legislação laboral.
Mas não é isso que o concurso faz, pois não?
Não, porque o aumento de Companhias apoiadas traduz sobretudo uma atomização dos recursos.
O que o Secretário de Estado da Cultura desenhou foi uma divisão de recursos que está claramente para lá de tudo o que, de boa fé, se poderia aceitar num concurso (pluri)anual.
Na verdade, um número significativo destes alegados apoios (pluri)anuais não passa de um financiamento pontual que não permite um trabalho regular e o cumprimento da legislação laboral em vigor para o setor.
O que o Secretário de Estado da Cultura faz, na gestão da sua carreira pessoal, é abrir a porta à desregulação das relações laborais e ao incumprimento da lei.
Que grande mentira. Perdão, que grande ilusão.
Foi muito bom.
Estávamos distraídos e nem percebemos como tinha sido feito.
O Jorge Barreto Xavier é mesmo um grande ilusionista.
E olhem que só não chega a Ministro porque a Cultura já não tem Ministério.
Mas se calhar o nosso Secretário de Estado ilusionista ainda nos vai convencer disso.
Abracadabra para ti também Xavier!
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Onde estão os resultados de Teatro?
E agora Senhor Secretário de Estado da Cultura?
Ao que tudo indica, os resultados dos apoios diretos ao Teatro estão perdidos em parte incerta. Foram todos publicados menos os relativos ao teatro.
A DGArtes anunciou que o júri tinha concluído o seu trabalho e o que os dados estavam a ser processados.
Mas na própria DGArtes há técnicos que dizem não estar a processar nada e que julgavam que os resultados já tinham sido publicados.
Então Senhor Secretário de Estado, se não estão com o júri nem com os técnicos, onde estão os resultados?
Será que ainda está a dar-lhes um jeitinho pessoal, para que as decisões do júri não “fritem” as suas possibilidades de ascensão política?
E agora Senhor Secretário de Estado da Cultura, que fazemos?
Talvez nomeá-lo para o prémio da irresponsabilidade e incompetência pública 2013?
Onde estão os resultados?
A Direcção
quarta-feira, 27 de março de 2013
Comunicado à Imprensa - Dia Mundial do Teatro
A PLATEIA e o CENA reuniram-se no
Dia Mundial do Teatro para discutir a atual situação das artes
cénicas em Portugal e emitiram o seguinte comunicado:
Hoje é o mais negro Dia Mundial do
Teatro de que há memória na democracia portuguesa.
Nos últimos anos tem-se assistido a
uma política de desvalorização da cultura enquanto bem público,
desorçamentando-a de modo desproporcional e colocando em causa a sua
acessibilidade e diversidade, facto agravado pelo atual governo. E
infelizmente não se trata de uma má vontade particular para com o
sector mas antes parte de uma estratégia concertada de ataque ao
Estado Social.
E a situação que parecia não ter
como piorar, piorou efetivamente com a indigitação de Jorge Barreto
Xavier como Secretário de Estado da Cultura. Porque a partir dessa
altura a esta desorçamentação – contrária às recomendações
vindas do seio da própria União Europeia – vieram juntar-se
diversas barbaridades:
A abertura do concurso de apoio às
artes com um atraso nunca antes visto e que desde logo colocava em
causa a continuidade da atividade do setor;
A flagrante e arbitrária violação
dos princípios legais, com o SEC a alterar um quadro normativo sem
ouvir os representantes do setor, nem possibilitar qualquer tipo de
discussão;
A burocratização absurda dos procedimentos concursais, que excluíram, em grande medida, as gerações mais jovens dos apoios pontuais;
O desmantelamento do financiamento direto à criação artística, modelo que até aqui garantia a diversidade estética e política.
A conclusão (ainda adiada) dos resultados com um atraso nunca visto, forçando de modo vergonhoso os agentes a prestar serviço público sem qualquer comparticipação do Estado;
A burocratização absurda dos procedimentos concursais, que excluíram, em grande medida, as gerações mais jovens dos apoios pontuais;
O desmantelamento do financiamento direto à criação artística, modelo que até aqui garantia a diversidade estética e política.
A conclusão (ainda adiada) dos resultados com um atraso nunca visto, forçando de modo vergonhoso os agentes a prestar serviço público sem qualquer comparticipação do Estado;
E o extermínio anunciado, para os
próximos dias, de mais de metade das estruturas em atividade (sendo
o Porto um exemplo paradigmático).
Ao invés de se criarem condições
sociais e laborais para os profissionais das artes cénicas,
perspectiva-se um grande aumento de desemprego e falta de trabalho,
ficando muitos sem meios de subsistência. Este profissionais não
contarão para as estatísticas de desemprego dado que na sua grande
maioria sempre foram trabalhadores precários a recibo verde.
Este ano temos poucas razões para
celebrar, será que para o ano teremos algumas? Apenas fica a certeza
de que não deixaremos cair no esquecimento os nomes de todos aqueles
que, mandatados como representantes dos portugueses, arrastaram a
cultura para uma situação tão catastrófica.
Porto, 27 de Março de 2013
CENA – Sindicato dos Músicos,
dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual
PLATEIA – Associação dos
Profissionais das Artes Cénicas
terça-feira, 26 de março de 2013
Dia Mundial do Teatro - Plateia e Cena juntos no Porto
"... É, portanto, urgente livrar as nossas cidades dos fabricantes de teatro, como fazemos com as almas indesejadas”.
excerto de carta do cardeal Carlo Borromeo (sec. XVI)
citada por Dario Fo na sua mensagem do Dia Mundial do Teatro 2013
Amanhã, 27 de Março de 2013, é Dia Mundial do Teatro.
A PLATEIA, associação de profissionais das artes cénicas e o CENA, sindicato dos músicos, dos profissionais do espectáculo e do audiovisual, têm o desejo íntimo de o festejar.
Mas aquela frase do sec. XVI, tem aguda actualidade nas acções de novos intérpretes da gestão política local e nacional.
Teatros sem fundos
para programação, financiamento à criação/produção cortados pela metade e
com insustentáveis atrasos na decisão, ausência do teatro nos curricula do ensino obrigatório...
Há reflexões a partilhar, denúncias a fazer. Pelo Teatro!
CONFERÊNCIA DE IMPRENSA Plateia e Cena - 18H
com os elementos da direcção de ambas as estruturas: Margarida Barata, Mário Moutinho, Carlos Costa e Julieta Guimarães
Academia Contemporânea do Espectáculo
Academia Contemporânea do Espectáculo
Pcta Coronel Pacheco, nº1, Porto
Mensagem Dia Mundial do Teatro 27 de Março de 2013
"Passou já
muito tempo desde que o poder manifestava a sua a intolerância para
com os commedianti expulsando-os do país. Hoje, por causa da
crise, os actores e as companhias têm dificuldade em encontrar
teatros, espaços públicos e espectadores.
Durante o
período do Renascimento em Itália, acontecia o contrário: os que
estavam no poder tinham de fazer um esforço significativo para
manter nos seus territórios os commedianti, uma vez que estes
gozavam de grande popularidade.
É sabido
que o grande êxodo de artistas da Commedia dell'Arte
aconteceu no século da Contra-Reforma, quando se decretou o
desmantelamento de todos os espaços de teatro, especialmente em
Roma, devido à acusação de ofenderem a cidade santa.
Em 1697, o
Papa Inocêncio XII, sob a pressão de insistentes pedidos da
burguesia mais conservadora e dos expoentes do clero, ordenou a
demolição do Teatro Tordinona, em cujo palco, segundo os
moralistas, tinha sido encenado o maior número de actuações
obscenas.
Na época
da Contra-Reforma, o cardeal Carlo Borromeo, do Norte de Itália,
tinha-se comprometido com o resgate dos “filhos de Milão”,
estabelecendo uma clara distinção entre arte - a mais alta forma de
educação espiritual - e teatro - a manifestação do profano e de
vaidade.
Numa carta
dirigida aos seus colaboradores, que cito de improviso, o cardeal
expressava-se da seguinte forma: “(...) em relação à erradicação
da raiz do mal, fizemos o nosso melhor para queimar textos com
discursos infames, para erradicá-los da memória dos homens, e, ao
mesmo tempo, para perseguir aqueles que divulgaram tais textos
impressos. Evidentemente, no entanto, enquanto dormíamos, o diabo
trabalhou com astúcia renovada. Como penetra na alma mais do que os
olhos vêem o que se lê nesse tipo de livros! Assim como a palavra
falada e o gesto apropriado são muito mais devastadores para as
mentes dos adolescentes e jovens do que a palavra morta impressa nos
livros. É, portanto, urgente livrar as nossas cidades dos
fabricantes de teatro, como fazemos com as almas indesejadas”.
A única solução para a crise está, então, na esperança de que uma grande “expulsão” seja organizada contra nós e, especialmente, contra os jovens que desejam aprender a arte do teatro: uma nova diáspora de commedianti, de fabricantes de teatro, que, certamente, a partir de tal imposição, terão benefícios inimagináveis para uma nova representação."
A única solução para a crise está, então, na esperança de que uma grande “expulsão” seja organizada contra nós e, especialmente, contra os jovens que desejam aprender a arte do teatro: uma nova diáspora de commedianti, de fabricantes de teatro, que, certamente, a partir de tal imposição, terão benefícios inimagináveis para uma nova representação."
Dario Fo
(Tradução de Luísa Marinho)
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