segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Abertura de concursos de apoio pontual e anual às artes

A PLATEIA manifesta a sua preocupação pelos efeitos da proposta de orçamento de estado na capacidade de a Direção Geral das Artes cumprir as obrigações legais a que está sujeita, nomeadamente a abertura de concursos de apoio pontual e anual às artes em 2014.
A PLATEIA recorda que os concursos em causa são decisivos para garantir a atividade do setor, e em particular das gerações mais jovens e que mais penalizadas têm sido ao longo dos últimos anos.
A PLATEIA solicita ao Diretor Geral das Artes que esclareça a opinião pública acerca da capacidade da DGArtes para, em função da atual proposta de orçamento, cumprir as suas obrigações relativamente ao serviço público em causa, bem como das datas de abertura dos concursos em causa, e respetivos valores.


A saída em beleza de Rui Rio

O Presidente do Executivo Municipal do Porto guardou para os últimos dias do mandato uma ação simbólico da sua relação com a cultura ao longo dos últimos 12 anos.
Durante a madrugada de quinta feira procedeu ao despejo da Companhia de Teatro Seiva Trupe do Teatro do Campo Alegre. Melhor opção não poderia ter sido encontrada para encerrar uma década de hostilidade e perseguição dos agentes culturais, e em particular de uma companhia cuja história se confunde com a da democracia portuguesa desde os anos 70. E a circunstância de o despejo ter sido feito a coberto da noite só torna mais simbólica - e plena de tristes memórias - a ação do executivo municipal.
A PLATEIA e os profissionais do espetáculo da cidade do Porto manifestam a sua solidariedade para com a SEIVA TRUPE e o vivo repúdio pela atitude da Câmara Municipal.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Jorge Barreto Xavier, o Ilusionista


Jorge Barreto Xavier, o Ilusionista

Lembram-se do Mandrake?
Pois o famoso mágico, criado por Lee Falk nos anos 30, dizia que é muito fácil criar um número de magia: Basta prender a atenção e causar uma distração.
Por isso esqueçam o Mandrake porque chegou Jorge Barreto Xavier, O Ilusionista.

Durante meses, a PLATEIA denunciou não só as flagrantes violações da lei, incentivadas pelo Secretário de Estado da Cultura do Governo de Pedro Passos Coelho, mas também o desinvestimento brutal (75%) no apoio direto à criação artística.

E no último momento, eis que Xavier, fazendo inveja a Mandrake, tira da cartola verbas que não se sabia existirem, alterando, mais uma vez, as regras do jogo sem qualquer aviso. E o nosso mágico anuncia-se a si próprio como o salvador da pátria, por aumentar o número de Companhias de Teatro apoiadas (pluri)anualmente.

Oh! Obrigado Xavier (aplausos efusivos)!
Que grande número este!
Como é que fizeste isto? (burburinho geral)

Mas espera aí...agora que estamos pensar melhor, isto não faz sentido.
Então o concurso não era (pluri)anual?
Era, pois era?
Portanto o concurso devia financiar Estruturas de criação/programação que funcionam de Janeiro a Dezembro, assumindo custos sociais e cumprindo a legislação laboral.
Mas não é isso que o concurso faz, pois não?
Não, porque o aumento de Companhias apoiadas traduz sobretudo uma atomização dos recursos.
O que o Secretário de Estado da Cultura desenhou foi uma divisão de recursos que está claramente para lá de tudo o que, de boa fé, se poderia aceitar num concurso (pluri)anual.
Na verdade, um número significativo destes alegados apoios (pluri)anuais não passa de um financiamento pontual que não permite um trabalho regular e o cumprimento da legislação laboral em vigor para o setor.
O que o Secretário de Estado da Cultura faz, na gestão da sua carreira pessoal, é abrir a porta à desregulação das relações laborais e ao incumprimento da lei.
Que grande mentira. Perdão, que grande ilusão.

Foi muito bom.
Estávamos distraídos e nem percebemos como tinha sido feito.
O Jorge Barreto Xavier é mesmo um grande ilusionista.
E olhem que só não chega a Ministro porque a Cultura já não tem Ministério.
Mas se calhar o nosso Secretário de Estado ilusionista ainda nos vai convencer disso.

Abracadabra para ti também Xavier!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Onde estão os resultados de Teatro?

E agora Senhor Secretário de Estado da Cultura?
Ao que tudo indica, os resultados dos apoios diretos ao Teatro estão perdidos em parte incerta. Foram todos publicados menos os relativos ao teatro.
A DGArtes anunciou que o júri tinha concluído o seu trabalho e o que os dados estavam a ser processados.
Mas na própria DGArtes há técnicos que dizem não estar a processar nada e que julgavam que os resultados já tinham sido publicados.
Então Senhor Secretário de Estado, se não estão com o júri nem com os técnicos, onde estão os resultados?
Será que ainda está a dar-lhes um jeitinho pessoal, para que as decisões do júri não “fritem” as suas possibilidades de ascensão política?
E agora Senhor Secretário de Estado da Cultura, que fazemos?
Talvez nomeá-lo para o prémio da irresponsabilidade e incompetência pública 2013?
Onde estão os resultados?


A Direcção

quarta-feira, 27 de março de 2013

Comunicado à Imprensa - Dia Mundial do Teatro

A PLATEIA e o CENA reuniram-se no Dia Mundial do Teatro para discutir a atual situação das artes cénicas em Portugal e emitiram o seguinte comunicado:


Hoje é o mais negro Dia Mundial do Teatro de que há memória na democracia portuguesa.

Nos últimos anos tem-se assistido a uma política de desvalorização da cultura enquanto bem público, desorçamentando-a de modo desproporcional e colocando em causa a sua acessibilidade e diversidade, facto agravado pelo atual governo. E infelizmente não se trata de uma má vontade particular para com o sector mas antes parte de uma estratégia concertada de ataque ao Estado Social.

E a situação que parecia não ter como piorar, piorou efetivamente com a indigitação de Jorge Barreto Xavier como Secretário de Estado da Cultura. Porque a partir dessa altura a esta desorçamentação – contrária às recomendações vindas do seio da própria União Europeia – vieram juntar-se diversas barbaridades:

A abertura do concurso de apoio às artes com um atraso nunca antes visto e que desde logo colocava em causa a continuidade da atividade do setor;
A flagrante e arbitrária violação dos princípios legais, com o SEC a alterar um quadro normativo sem ouvir os representantes do setor, nem possibilitar qualquer tipo de discussão;
A burocratização absurda dos procedimentos concursais, que excluíram, em grande medida, as gerações mais jovens dos apoios pontuais;
O desmantelamento do financiamento direto à criação artística, modelo que até aqui garantia a diversidade estética e política.
A conclusão (ainda adiada) dos resultados com um atraso nunca visto, forçando de modo vergonhoso os agentes a prestar serviço público sem qualquer comparticipação do Estado;
E o extermínio anunciado, para os próximos dias, de mais de metade das estruturas em atividade (sendo o Porto um exemplo paradigmático).

Ao invés de se criarem condições sociais e laborais para os profissionais das artes cénicas, perspectiva-se um grande aumento de desemprego e falta de trabalho, ficando muitos sem meios de subsistência. Este profissionais não contarão para as estatísticas de desemprego dado que na sua grande maioria sempre foram trabalhadores precários a recibo verde.

Este ano temos poucas razões para celebrar, será que para o ano teremos algumas? Apenas fica a certeza de que não deixaremos cair no esquecimento os nomes de todos aqueles que, mandatados como representantes dos portugueses, arrastaram a cultura para uma situação tão catastrófica.


Porto, 27 de Março de 2013


CENA – Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual

PLATEIA – Associação dos Profissionais das Artes Cénicas

terça-feira, 26 de março de 2013

Dia Mundial do Teatro - Plateia e Cena juntos no Porto

"... É, portanto, urgente livrar as nossas cidades dos fabricantes de teatro, como fazemos com as almas indesejadas”.
excerto de carta do cardeal Carlo Borromeo (sec. XVI)
citada por Dario Fo na sua mensagem do Dia Mundial do Teatro 2013

Amanhã, 27 de Março de 2013, é Dia Mundial do Teatro.
A PLATEIA, associação de profissionais das artes cénicas e o CENA, sindicato dos músicos, dos profissionais do espectáculo e do audiovisual, têm o desejo íntimo de o festejar.
Mas aquela frase do sec. XVI, tem aguda actualidade nas acções de novos intérpretes da gestão política local e nacional.
Teatros sem fundos para programação, financiamento à criação/produção cortados pela metade e com insustentáveis atrasos na decisão, ausência do teatro nos curricula do ensino obrigatório...
Há reflexões a partilhar, denúncias a fazer. Pelo Teatro!

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA Plateia e Cena - 18H
com os elementos da direcção de ambas as estruturas: Margarida Barata, Mário Moutinho, Carlos Costa e Julieta Guimarães
Academia Contemporânea do Espectáculo
Pcta Coronel Pacheco, nº1, Porto

Mensagem Dia Mundial do Teatro 27 de Março de 2013


"Passou já muito tempo desde que o poder manifestava a sua a intolerância para com os commedianti expulsando-os do país. Hoje, por causa da crise, os actores e as companhias têm dificuldade em encontrar teatros, espaços públicos e espectadores.
Durante o período do Renascimento em Itália, acontecia o contrário: os que estavam no poder tinham de fazer um esforço significativo para manter nos seus territórios os commedianti, uma vez que estes gozavam de grande popularidade.
É sabido que o grande êxodo de artistas da Commedia dell'Arte aconteceu no século da Contra-Reforma, quando se decretou o desmantelamento de todos os espaços de teatro, especialmente em Roma, devido à acusação de ofenderem a cidade santa.
Em 1697, o Papa Inocêncio XII, sob a pressão de insistentes pedidos da burguesia mais conservadora e dos expoentes do clero, ordenou a demolição do Teatro Tordinona, em cujo palco, segundo os moralistas, tinha sido encenado o maior número de actuações obscenas.
Na época da Contra-Reforma, o cardeal Carlo Borromeo, do Norte de Itália, tinha-se comprometido com o resgate dos “filhos de Milão”, estabelecendo uma clara distinção entre arte - a mais alta forma de educação espiritual - e teatro - a manifestação do profano e de vaidade.
Numa carta dirigida aos seus colaboradores, que cito de improviso, o cardeal expressava-se da seguinte forma: “(...) em relação à erradicação da raiz do mal, fizemos o nosso melhor para queimar textos com discursos infames, para erradicá-los da memória dos homens, e, ao mesmo tempo, para perseguir aqueles que divulgaram tais textos impressos. Evidentemente, no entanto, enquanto dormíamos, o diabo trabalhou com astúcia renovada. Como penetra na alma mais do que os olhos vêem o que se lê nesse tipo de livros! Assim como a palavra falada e o gesto apropriado são muito mais devastadores para as mentes dos adolescentes e jovens do que a palavra morta impressa nos livros. É, portanto, urgente livrar as nossas cidades dos fabricantes de teatro, como fazemos com as almas indesejadas”.
A única solução para a crise está, então, na esperança de que uma grande “expulsão” seja organizada contra nós e, especialmente, contra os jovens que desejam aprender a arte do teatro: uma nova diáspora de commedianti, de fabricantes de teatro, que, certamente, a partir de tal imposição, terão benefícios inimagináveis para uma nova representação."

Dario Fo

(Tradução de Luísa Marinho)