quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Órgãos Sociais da PLATEIA para 2014/2016

São os seguintes os titulares dos órgãos sociais da PLATEIA, eleitos na Assembleia-geral de 17 de fevereiro de 2014.


MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL

Presidente – Mário Moutinho (programador, ator)
Vice-Presidente – Adelaide Teixeira (atriz)
Secretário – Cristovão Carvalheiro (ator)

DIRECÃO
Presidente – Carlos Costa (dramaturgo, encenador, ator)
Tesoureiro – Luís Mestre (dramaturgo, encenador, ator)
Secretário – Jorge Palinhos (dramaturgo, crítico, investigador)


CONSELHO FISCAL

Presidente – Julieta Guimarães (programadora, produtora)
Vice-Presidente – Pedro Carvalho (encenador, ator)
Secretário – Luís Ribeiro (técnico de luz)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Contributo para a mudança da política para a cultura na cidade do Porto

A PLATEIA congratula-se pela normalização das relações com a Câmara Municipal do Porto e pelo anunciado fim de três mandatos marcados por uma permanente hostilidade da autarquia para com a cultura em geral e a criação artística em particular.

Ainda assim a PLATEIA vê com preocupação o quadro orçamental do município para 2014, na medida em que este não parece permitir que as opções políticas passem muito além das referidas e saudades declarações de boas intenções.

Na cidade do Porto, a cultura (e em particular a criação artística) parece continuar incapaz de se afirmar de um modo intrínseco, permanecendo numa absoluta dependência de links a outros valores como a economia, turismo, educação e mobilidade. Sem uma efetiva (leia-se orçamental) integração da cultura e da criação artística na “Marca Porto” esta nunca poderá projetar-se simbolicamente para lá desta geração, ficando na dependência de contingências diversas, nomeadamente a concorrência de marcas associadas a outras cidades

Exemplo maior desta desvalorização é a ausência de um “programa de teatro municipal”, aqui entendido enquanto um conceito de programação (e respetivos meios de produção) em que a cidade e o mundo se possam refletir. Repare-se que Lisboa tem neste momento 3 Teatros Municipais; e que o Porto está cada vez mais rodeado de cidades de menor dimensão e que apresentam sólidos investimentos na programação e nos Serviços Educativos, como por exemplo Braga e Guimarães. Esta é uma situação anómala no contexto das cidades médias europeias e que não se resolve com a mera abertura das portas dos edifícios aos produtores.

Ao longo dos próximos 4 anos a PLATEIA estará constantemente disponível para uma reflexão crítica e frontal acerca das opções politicas do novo executivo municipal, no âmbito da política cultural. E parece-nos que o melhor modo de iniciar este processo será uma análise sintética das variáveis que, no nosso entender, irão condicionar o (in)sucesso das opções políticas.

MUDANÇA DA POLÍTICA MUNICIPAL PARA A CULTURA

FORÇAS

Espaços: A cidade do Porto está dotada de variadísimos espaços e equipamentos adequados às mais diversas práticas performativas.
Qualificação: Ao longo das duas últimas décadas, a peculiar combinação entre as 4 escolas da cidade e o tecido produtivo gerou profissionais qualificados em todas as áreas das artes performativas.
Criatividade: Desde 2002 que os agentes do setor demonstram uma permanente capacidade para reinventar modos de produção, tendo mesmo estado na origem da explosão associada à indústria da noite na baixa do Porto (facto que nunca foi reconhecido pelo executivo municipal).
Resiliência: Grande parte dos projetos artísticos resistiram à passagem dos últimos 12 anos, acumulando um apreciável  capital de experiência, nomeadamente de resistência e transformação em contexto de crise.
Novo Pelouro da Cultura: Pela primeira vez em 12 anos, o Pelouro da Cultura da CMP está entregue a um Vereador com provas dadas no setor e a um adjunto com formação e experiência relevante para a tarefa a desempenhar.



FRAQUEZAS

Orçamento insuficiente: A dotação orçamental para a cultura não permite que a CMP se afirme como produtora e programadora. Esta dependência de estratégias alheias não possibilita que o Porto recupere o espaço em que se mostra ao mundo e em que convida o mundo para se apresentar.
Perda de legitimidade do setor: Depois de anos de sucessivos cortes (nacionais e locais) nos orçamentos para a cultura, o setor apresenta-se sem qualquer legitimidade para a opinião pública, nomeadamente para contribuintes e eleitores.
Desconhecimento do terreno: O novo Vereador e o seu adjunto não conhecem o terreno (organizações, indivíduos, espaços, dinâmicas) em que terão que intervir.
Tecido deprimido: O tecido profissional do setor foi-se degradando ao longos dos últimos anos por motivos diversos: Migração para Lisboa, passagem para a indústria audiovisual, desistência de projetos, reforma por velhice e morte.
Divisão radical entre paradigmas: As discussões públicas acerca da política cultural continuam divididas entre dois paradigmas radicais: um, mais à direita, que entende não ser a cultura, e em particular a criação artística, um bem público relevante; o outro, mais à esquerda, entendendo que as dotações orçamentais para a cultura têm de atingir 1% do orçamento de estado.


OPORTUNIDADES

Diálogo: O corte de ciclo político pode permitir um desanuviar de tensões e contribuir para uma efetica colaboração e legitimação mútua entre agentes e executivo municipal.
Abertura da geração mais jovem: Os agentes mais jovens, que chegaram à profissão em momento posterior ao Porto 2001, estão completamente disponíveis para novos tipos de realação com a CMP.
Integração (da Criação Artística) na Marca Porto: Se o Porto fosse a cidade da criação artística - e não somente da noite, do rio, do vinho,  da ciência, do FCP e do património - estariam lançadas condições para uma maior afinidade - a longo prazo - entre agentes e município.
Fundos Europeus 2014/2020: O aumento das dotações abre imensas possibilidades para o executivo. Os meios humanos para instruir candidaturas existem, bastará a vontade polítca de os afetar.
Recuperação da legitimidade: A atribuição de maiores meios e visibilidade a um “Serviço Educativo” poderia ser conseguida através da afetação de recursos de outras divisões municipais (educação, transportes) e sem que aqui se levantassem as resistências associadas ao apoio direito à criação artística. Mas os resultados contribuiríam para reforçar a legitimidade do setor, até ao fim do mandato, e reiniciar a recuperação sustentável dos públicos.

AMEAÇAS

Confusão entre programa e edifícios: A discussão da política cultural corre o risco de se afundar na mediatização das questões relacionadas com os edifícios afetos à prática teatral (Rivoli e Campo Alegre).
Estigmas envolventes: A massa crítica que envolveu a candidatura de Rui Moreira ainda reproduz os velhos estigmas associados à cultura e criação artística (subsidiodependência, elitismo, irrelevância).
Resistência da geração mais velha: Os agentes mais velhos parecem resistir a qualquer programa que não recupere o bem estar associado à década de noventa.
Pressão para decidir: O Vereador está pressionado, pela opinião pública e imprensa, para decidir, na medida em que a política para o setor foi anunciada como pedra de toque para a candidatura se demarcar do anterior executivo.

Mediatização dos casos concretos: Os agentes tenderão, de forma legítima, a abordar o pelouro com a urgência dos seus casos concretos e pessoais. Estes casos serão rapidamente mediatizados em função da proficiência dos agentes em termos de comunicação. E a necessidade de responder atomizadamente a estes apelos poderá deixar as opções estruturais para segundo plano

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Entrega de documento de trabalho na CMP

Na sequência da reunião no passado dia 23 de dezembro e do reatar de relações com a Câmara Municipal do Porto, a PLATEIA entregou ao Vereador da Cultura uma análise acerca do contexto em que se irá desenvolver a política cultural do executivo. Procurou-se sobretudo detalhar os problemas e oportunidades com que nos iremos deparar, mas também descriminar os agentes e espaços associados às artes performativas.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Reunião com o Vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto

Na sequência de um pedido nosso, reunimos a 23 de dezembro com o Vereador da Cultura da CMP, Paulo Cunha e Silva.
Há já muitos anos que a PLATEIA não era recebida nos Paços do Concelho, pelo que esperamos que este encontro signifique também o final da hostilidade que os três últimos executivos demonstraram perante a cultura, a criação artística e as artes performativas.
A PLATEIA ouviu atentamente as ideias, aspirações e planos do novo Vereador e manifestou a sua preocupação relativamente ao contexto orçamental previsto, pelo menos, para 2014.
A PLATEIA teve também oportunidade para esclarecer o Vereador acerca das dificuldades que vivem as estruturas e os profissionais em atividade na cidade, desde os mais jovens aos mais velhos.
Nos primeiros dias de 2014, a PLATEIA fará chegar ao Vereador da Cultura da CMP uma análise acerca das principais variáveis que, no nosso entender, irão condicionar a execução de uma (alegadamente) nova política cultural.

A Direcção

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Concentração junto à Assembleia da República

A PLATEIA reitera as preocupações manifestadas no seu comunicado de 21 de outubro, relativamente às verbas afetadas ao orçamento do Secretário de Estado da Cultura, e em particular à Direção Geral das Artes, pela proposta de Orçamento de Estado apresentada pelo governo.

A PLATEIA solidariza-se assim com a concentração convocada pelos movimentos "Manifesto em Defesa da Cultura" e "1%  para a Cultura" e subscrita pelos Sindicatos STE e Cena para as 12h de 7 de novembro.

A Direção

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Abertura de concursos de apoio pontual e anual às artes

A PLATEIA manifesta a sua preocupação pelos efeitos da proposta de orçamento de estado na capacidade de a Direção Geral das Artes cumprir as obrigações legais a que está sujeita, nomeadamente a abertura de concursos de apoio pontual e anual às artes em 2014.
A PLATEIA recorda que os concursos em causa são decisivos para garantir a atividade do setor, e em particular das gerações mais jovens e que mais penalizadas têm sido ao longo dos últimos anos.
A PLATEIA solicita ao Diretor Geral das Artes que esclareça a opinião pública acerca da capacidade da DGArtes para, em função da atual proposta de orçamento, cumprir as suas obrigações relativamente ao serviço público em causa, bem como das datas de abertura dos concursos em causa, e respetivos valores.


A saída em beleza de Rui Rio

O Presidente do Executivo Municipal do Porto guardou para os últimos dias do mandato uma ação simbólico da sua relação com a cultura ao longo dos últimos 12 anos.
Durante a madrugada de quinta feira procedeu ao despejo da Companhia de Teatro Seiva Trupe do Teatro do Campo Alegre. Melhor opção não poderia ter sido encontrada para encerrar uma década de hostilidade e perseguição dos agentes culturais, e em particular de uma companhia cuja história se confunde com a da democracia portuguesa desde os anos 70. E a circunstância de o despejo ter sido feito a coberto da noite só torna mais simbólica - e plena de tristes memórias - a ação do executivo municipal.
A PLATEIA e os profissionais do espetáculo da cidade do Porto manifestam a sua solidariedade para com a SEIVA TRUPE e o vivo repúdio pela atitude da Câmara Municipal.