Ponto de Situação do Teatro Profissional na Região Norte

Finalmente, em Outubro de 2005 (!), as estruturas profissionais de teatro do Norte tiveram acesso ao financiamento estatal para a sua actividade para o corrente ano. Uma providência cautelar que os tribunais deixaram arrastar durante seis meses e a inépcia da Administração Central em todo este processo causaram feridas profundas no teatro da região Norte.
O alívio das estruturas que finalmente receberam o financiamento estatal não pode ocultar, porque não resolve, os graves problemas que todos enfrentamos ainda. Estão em perigo tecido profissional e públicos.
Em dez meses de desagregação muitos profissionais foram obrigados a tomar decisões que afectam gravemente opções futuras: as estruturas de produção foram obrigadas a reduzir equipas, redimensionar produções e abandonar projectos; há profissionais que mudaram de região ou mesmo de carreira; perdeu-se público nos meses sucessivos em que a notícia não foi a criação mas a falta de financiamento.
A recuperação do tecido criativo e produtivo e dos públicos implicará tempo e investimento. Será particularmente complicado fazê-lo numa região já tradicionalmente penalizada com os mais baixos níveis de investimento estatal na criação artística (neste concurso o investimento per capita foi menos de metade da média nacional).
Num Estado de Direito é imperativo que objectivamente se apurem as responsabilidades de uma tão grosseira e penalizadora negligência. Numa Democracia que se diz adulta acreditamos que tal acontecerá sem necessidade da arbitragem de tribunais.
E é necessário que essa responsabilização seja consequente, que esteja associada a um trabalho sério e digno de acompanhamento e investimento no fragilizado desenvolvimento das artes do espectáculo da região Norte.
É urgente que se reconheça o “pecado original”, a causa a montante de todo este problema agudo: o subfinanciamento das artes de espectáculo a Norte.
É urgente que sejam avaliadas as situações no terreno, que não se “remedeie” apenas e antes se construa.
É urgente que haja decisão política estruturante.


Nota: fizemos já chegar ao Ministério da Cultura um pedido de esclarecimento sobre o tratamento dado ao processo cautelar e uma exposição sobre medidas urgentes para as artes cénicas na região Norte.

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